HISTÓRIA DA FALCOARIA

Ciência que utiliza técnicas para adestramento de aves de rapina com a finalidade de captura de presas; considerada por muitos uma forma de arte devido ao seu alto grau de sensibilidade e dedicação exigidos para sua prática.

 

Um problema significativo com a história registrada é que a história só pode ser gravada onde existem registros. Estamos certos de que a origem da falcoaria vai muito mais longe do que as origens da escrita, pois os primeiros registros escritos encontrados descrevem uma falcoaria altamente organizada e técnica que deve ter levado muitas centenas, senão milhares de anos para evoluir para esse nível de sofisticação.

 

 

Uma vez na Europa, bastaram 200 anos para que pudessem ser encontrados praticantes da falcoaria entre pessoas de todas as castas sociais, dos camponeses aos reis, para aqueles como forma de obter alimento e para esses como uma forma de esporte e interação sócio-cultural.

 

Por volta de 750 d.C. os primeiros manuscritos ocidentais sobre o assunto começaram a ser escritos, cabendo destacar a publicação de “De Arte Venandi cum Avibus”, vasto tratado escrito por Frederico II, imperador da Alemanha, em 1247. Pouco a pouco a cultura européia foi revestindo a falcoaria de uma aura nobre, associando sua prática à sofisticação e cultura superiores. Dessa maneira, os reis e grãos-senhores interessados em distinguir-se chegavam então a possuir dezenas de aves, contratando um mestre falcoeiro para treiná-las e mantê-las sempre em forma. Nesse período foram publicados os primeiros éditos de proteção à fauna na Europa, proibindo especificamente a caça, maus tratos ou apanha de aves de rapina. O preço de falcões treinados atingia pequenas fortunas e o roubo dessas aves era punido com a forca em algumas regiões da Inglaterra. Conta-se que um bispo, cujo falcão fora roubado durante sua pregação, chegou ao ponto de excomungar o anônimo ladrão.

 

Com a chegada das grandes navegações, descobriu-se que a falcoaria florescera de forma paralela no continente americano. Os primeiros relatos da existência deste tipo de atividade nas Américas datam do século XVI e foram feitos por Cortês, o famoso conquistador espanhol, que descreveu a presença de falcões treinados mantidos pelo rei asteca Montezuma, no México.

 

 

A partir de 1792, com a fundação do High Ash Club, em Londres, na Inglaterra, os entusiastas começaram a se organizar em clubes e associações, dando início ao processo de modernização da prática com a formação de aviários e intercâmbio de espécies, adoção de novas tecnologias, uso de fichas de acompanhamento individual, estudo e difusão das técnicas de treino utilizadas em outras regiões, como Arábia, Espanha, Japão, etc.

A iniciativa inglesa estimulou o surgimento de novos clubes em vários continentes, auxiliando à prática da falcoaria a obter regulamentações legais especificas, como ocorre hoje na maioria dos países europeus, Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, México e América do Sul, entre outros, garantindo a continuidade de sua prática, conhecimentos e tradição.

 

No Brasil a Falcoaria foi oficializada em 19 de outubro de 1997, através dos falcoeiros: Guilherme Fernandes Queiroz (MG), Jorge Sales Lisboa (RJ) e Leo Tatsuji Fukui (RJ) com a criação da ABFPAR - Associação Brasileira de Falcoeiros e Preservação de Aves de Rapina, uma entidade sem fins econômicos (lucrativos), destinada a apoiar e desenvolver inciativas de pesquisa e proteção das aves de rapina em todo o Brasil. A partir desse momento a falcoaria se tornou mais difundida e popular sendo abordada em programas televisivos, documentários, reportagens e congressos relacionados à conservação das aves de rapina.

Apesar de ainda não possuir regulamentação legal no Brasil, a falcoaria vem sendo bem acolhida pelos órgãos ambientais, pois se mostrou uma ferramenta eficiente para a reabilitação de aves de rapina e no controle de fauna nociva.

 

Em 2010 a Falcoaria foi reconhecida como Patrimônio cultural imaterial da humanidade pela UNESCO : A apresentação da UNESCO afirmou: "A falcoaria é uma das mais antigas relações entre homem e pássaro, datando de mais de 4000 anos. Falcoaria é uma atividade tradicional com aves de rapina treinadas para caça em seu estado natural. É uma atividade natural, pois o falcão e sua presa evoluíram juntas durante milhões de anos, a sua interação é um drama antigo. O falcão é adaptado para caçar a presa, e presa desenvolveu muitas maneiras de escapar do falcão. Isso leva a uma fascinante visão sobre a magnitude da natureza e representa um desafio intelectual para o falcoeiro em sua compreensão do comportamento. Sua tarefa é trazer os atores juntos no palco da natureza. Para fazer isso o falcoeiro deve desenvolver uma relação forte e sinérgica com seu pássaro".

 

 

Fontes:

http://abfpar.org

http://www.iaf.org